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Viajar para os Estados Unidos: ESTA, custo de um hospital e seguro

Inês Carvalho

6 min de leitura

Rua de Nova Iorque com táxis amarelos
Fotografia: Stock Snap, via Pixabay

Os portugueses não precisam de visto para viajar até 90 dias para os Estados Unidos, mas precisam de uma autorização eletrónica de viagem, o ESTA, pedida online antes de embarcar. O maior risco da viagem não é a burocracia, é a saúde: o sistema de saúde americano é privado e muito caro, o Cartão Europeu de Seguro de Doença não é válido lá, e por isso o seguro de viagem deve ter despesas médicas ilimitadas ou muito altas.

É preciso visto para os Estados Unidos?

Não, para turismo ou negócios até 90 dias. Portugal faz parte do Programa de Isenção de Visto, mas o viajante tem de obter uma autorização ESTA antes de partir. Os pontos essenciais (verificados em outubro de 2026):

  • O pedido faz-se apenas nosite oficial do ESTA, da autoridade americana de alfândegas e fronteiras (CBP).
  • A autorização vale 2 anos, ou até o passaporte caducar, e permite várias entradas. Cada estadia pode ir até 90 dias.
  • Peça pelo menos 72 horas antes de viajar. Na prática, faça-o logo que reserve os voos, para ter margem se o pedido for revisto.
  • Cada viajante precisa do seu pedido, incluindo crianças e bebés.
  • O passaporte tem de ser eletrónico e válido. Confirme as condições atuais no site oficial antes de partir.

A taxa do ESTA ronda os 40 dólares e é ajustada todos os anos. Confirme o valor exato no site oficial, porque há sites de terceiros que cobram bastante mais pelo mesmo pedido.

Controlo de fronteira à chegada

A autorização ESTA não garante a entrada: quem decide é o agente de fronteira. Leve o comprovativo do regresso ou da continuação da viagem, a morada do primeiro alojamento e uma ideia clara do itinerário. No controlo são tiradas impressões digitais e uma fotografia. Responda de forma direta e curta ao que for perguntado, sem inventar nem acrescentar pormenores que não lhe pedem. Se tiver reservas de hotel ou de carro, tenha as confirmações à mão no telemóvel, porque o agente pode pedi-las.

Quanto custa uma ida às urgências nos EUA

Nos Estados Unidos não há tabela pública nem sistema de saúde que pague por si. Um estudo da KFF, com dados de 2019, mostra que mesmo quem tem seguro de saúde americano paga em média 646 dólares do próprio bolso por cada ida às urgências. Um turista sem esse seguro paga a fatura inteira, que costuma ser bastante mais alta.

O internamento pesa muito mais. A KFF, com dados da associação de hospitais americana, estima a despesa de um hospital em cerca de 3 400 dólares por dia de internamento nos hospitais sem fins lucrativos (dados de 2024). É a despesa do hospital, não a fatura final, mas dá a ordem de grandeza: poucos dias internado chegam a dezenas de milhares de dólares, antes de cirurgias, exames e medicação.

A ambulância é outra surpresa. Em muitos casos a fatura chega meses depois, e o serviço pode ser cobrado fora da rede do seguro. A KFF analisou o problema das faturas inesperadas de ambulâncias mesmo para quem tem seguro.

O Cartão Europeu serve nos Estados Unidos?

Não. O Cartão Europeu de Seguro de Doença só dá acesso a cuidados de saúde nos países da União Europeia, no Espaço Económico Europeu e na Suíça. Fora dessa área não tem valor, e nos Estados Unidos o hospital pede o pagamento ou um seguro válido logo à entrada, em muitos casos antes de tratar.

Que capital de despesas médicas devo escolher?

Para os Estados Unidos, o capital de despesas médicas é a garantia mais importante do seguro. Por isso, escolha o mais alto que encontrar. Os valores que costumam aparecer noutros destinos, de alguns milhares de euros, esgotam-se numa só noite de internamento.

Na gama da Predictable, o Seguro de Viagem Internacional Select tem despesas médicas ilimitadas no mundo, e o Passageiro Seguro tem 60 000 euros no mundo na versão de base, podendo chegar a 1 000 000 de euros com módulos opcionais. Se o destino são os Estados Unidos, a escolha do capital deve ser a primeira decisão, não a última. Compare sempre o capital em euros com o custo dos internamentos descritos acima, e não apenas o preço do seguro.

Que seguro de viagem levar para os EUA

Além das despesas médicas, veja o que mais interessa numa viagem americana:

  • Repatriamento: o regresso a Portugal em avião medicalizado custa muito e o Select cobre o repatriamento ou transporte sanitário sem limite.
  • Responsabilidade civil: importante se alugar carro. O Select tem 90 000 euros e o Passageiro Seguro 60 000 euros.
  • Cancelamento e regresso antecipado: o Select cobre até 5 000 euros no mundo.
  • Bagagem e atrasos: o Select cobre perdas materiais até 2 000 euros no mundo.

Para os pormenores de cada garantia, exclusões incluídas, consulte as condições gerais de cada produto. Quem procura um seguro de viagem para os Estados Unidos e vai alugar carro deve confirmar sempre o limite de responsabilidade civil.

Quanto custa um seguro de viagem para os EUA

Como referência, para duas pessoas, 15 dias nos Estados Unidos, com avião, comboio, carro de aluguer e cruzeiro, o prémio total do Select ficou em 266,10 € e o do Passageiro Seguro em 164,04 € (valores de 2026, atualizados a 1 de janeiro). O Select tem despesas médicas ilimitadas e o Passageiro Seguro, 60 000 euros na versão de base. Para outro número de viajantes ou outra duração, use o simulador.

Antes de partir: medicação, fuso horário e carro

  • Medicação: leve a medicação habitual na embalagem original, com a receita ou um relatório do médico. Nem todos os medicamentos têm o mesmo nome nos Estados Unidos.
  • Fuso horário: entre 5 e 9 horas de diferença para Portugal continental. Quem toma medicação a horas fixas deve ajustar o horário com o médico antes da viagem.
  • Carro de aluguer: leve a carta de condução e um cartão de crédito em nome do condutor. As locadoras americanas oferecem seguros automóveis próprios, com regras e franquias que convém ler antes de assinar. A responsabilidade civil do seguro de viagem cobre danos causados a terceiros, mas não substitui o seguro do carro.
  • Gorjetas e custos do dia a dia: os serviços de saúde, os táxis e os restaurantes cobram em dólares e muitas vezes exigem cartão de crédito. Guarde sempre todos os recibos, porque o seguro só reembolsa despesas comprovadas.

Veja também o que o seguro cobre noutras situações: despesas médicas no seguro de viagem, cobertura de repatriamento e seguro de cancelamento de viagem.

Perguntas frequentes

É preciso visto para os Estados Unidos?

Não, para turismo ou negócios até 90 dias. Os portugueses precisam do ESTA, pedido online no site oficial, com validade de 2 anos e várias entradas. Estadias mais longas, trabalho ou estudo exigem visto.

Quanto custa uma ida às urgências nos EUA?

Mesmo com seguro de saúde americano, a média paga do bolso foi de 646 dólares por visita em 2019, segundo a KFF. Sem seguro, a fatura é completa e pode ser várias vezes superior, sobretudo se houver exames, cirurgia ou internamento.

Que capital de despesas médicas devo escolher?

O mais alto possível: ilimitado, ou pelo menos centenas de milhares de euros. Um internamento de poucos dias nos Estados Unidos pode custar dezenas de milhares de euros.

O Cartão Europeu serve nos Estados Unidos?

Não. O cartão só vale na União Europeia, no Espaço Económico Europeu e na Suíça. Nos Estados Unidos, os cuidados de saúde são pagos pelo viajante ou pelo seu seguro de viagem.

A Predictable tem seguros de viagem com despesas médicas elevadas e repatriamento para os Estados Unidos, e pode ver o preço para a sua viagem em poucos minutos. Simular seguro de viagem.